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ARTIGO
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VINHOS DE GARAGEM
(10.03.2008) ![]()
Esta expressão aplica-se a dois tipos de vinho de qualidades antagónicas.
Por um lado, e de forma ainda enraizada na nossa cultura, temos os vinhos feitos em casa, em garagens de facto, com condições precárias, de qualidade duvidosa e sem qualquer garantia de sanidade. São vinhos que, naturalmente, não entram no circuito comercial oficioso e carecem de certificações.
Quando o seu consumo se restringe a pequenos meios familiares e os vinhos se apresentam minimamente salubres, não são um problema de facto.
Frequentemente têm na sua origem castas dúbias e mesinhas desconcertantes.
No outro extremo temos vinhos de produções muito limitadas, cuja enorme qualidade brota de cuidados invulgares, só possíveis em criações ínfimas.
São o fruto de bagos escolhidos à mão e de parcelas afortunadas, muitas vezes feitos por produtores de gabarito que trabalham estes pequenos lotes praticamente à margem.
O ónus destes vinhos no mercado é exíguo, a sua produção não lhes permite chegar a pontos de venda abrangentes, ficando-se pela exclusividade de garrafeiras e alguns restaurantes isolados.
Estas obras de que resultam, no máximo, 5 mil garrafas, pagam-se a peso de ouro. Penso que de ambos os casos podemos tirar uma ilação: o peso de ambos não é significativo e não deve tipificar a vinicultura nacional.
A legalidade é muito mais representativa que os maus vinhos de barração e as exclusivas produções de topo não devem ser um bastião.
Já aqui falámos da exportação e ela apenas terá sucesso no dia em que conseguirmos qualidade e regularidade em produções com quantidade.
De que nos serve provar, dizer que é bom, que quero e depois… não há mais!